sábado, 28 de setembro de 2013

Gemiparidade

Voz insuave
Grita, barulho
Voz chave
Sacode, desembrulho

Ingênuos vituperam
Passividade, silêncio
Desconfiados altercam
Mobilidade, reflexão

A cada abalo de uma consciência
Resgata uma fênix em demência
Se gema a nova mente
Metamorfose prodigamente

Multiplica nossos soldados
Uníssona voz e singularidade
Intensifica com vigor
Clama por justiça e louvor

O adverso é gigante
Do “conhecimento” se esbanje
Ainda assim limiar
Como em toda margem, intrigar

Infinda é nossa tropa
Do que é simples e não esnoba
E com serenidade entreabrem os olhos
Arrefecem a grande “chama”, orvalhos

-Shori Suton

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Terceira Pálpebra

Tudo que é fútil
Finda em superfície
Tudo que é útil

Perpetua no âmago;

De cada entranha
A germinar uma alma
Arquitetam a trama
Da “luz” que os emana

Cerram os olhos
E ainda se pode ver
Imobilizam os ossos
E ainda se pode mexer

Porém,
Não além;

A terceira pálpebra
Inibe as vértebras
A terceira pálpebra
Quebra as regras

Devaneio, fantasia, miragem, quimera
Burla, calúnia, farsa, nova era
Atino, descoberta, descortina, proximidade
Princípio, axioma, máxima, verdade

Rasga a pálpebra que cega
Explora o conhecimento e rega
A mente que nega
E por hora não reza

Desperta!
Acorda!
Já é a hora
Cria ousadia e ora

-Shori Suton


segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Noite

Era noite de lua cheia
No cais ela cantou o canto da sereia
E com seu sorrisinho cativante e singelo
Invadia e conquistava o meu castelo

Estou com frio e quero te abraçar
Abraçados estávamos a ver o mar
Sentindo aquela brisa, aquela maresia
Tudo de cortesia

Foi tão especial
Único e essencial
Como em uma canção
A minha primeira sensação

E naquele momento
Pude analisar cada sentimento
Aquele balanço, das folhas, agradável
Aquele balanço, dos seus cabelos, desejável

Por fim da noite infindável
Fica em minha memória
O seu carinho irrefutável
Pra eu contar a nossa história


por Vitor Pedral


 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Lua Azul

Ao despertar da noite
Ela nasce, cheia e bela
Pronta para fazer esquecer a foice
Que a morte há de cravar nela
 
Os olhos dos casais aflitos
Querem para seu futuro o destino
Não sabem que ela engana e alucina
Ao mesmo tempo em que a alma se fascina
 
À beira de um lago
Sentados e abraçados
Contemplando a lua e o seu doce véu
É aquela que palpita os corações lá do céu
 
A Dona da visão, a Dona da razão
Uma espiral de mudanças
A matriarca da transformação
Um pensamento perdido, encontrado na esperança
 
Ilusão de ótica real
Tão perto e tão distante
Esse sentimento paradoxal
De um surrealismo relutante
 
E no fim das trevas
Ela morre, cheia e bela
 
À beira de um lago
Sentados e abraçados
Contemplando a lua e o seu doce véu
É aquela que palpita os corações lá do céu


por Vitor Pedral
 
 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Aos Raros


O futuro de um presente abandonado
O passado que morre sozinho
A inocência e a experiência
Frutos do desprezo e da carência

Sem importar a idade
Quando o sorriso é de felicidade
Todos querem o amor
Um abraço forte repleto de calor

Raros amigos
Reacendem a chama da esperança
Os anjos com narizes de palhaço
São exemplos da verdadeira essência humana

O pouco de hoje
O muito de amanhã
São grandes os pequenos atos
Que vão esculpindo

Transformando e construindo
Esculturas desamparadas
Em obras de arte
Que por todos são admiradas

Raros amigos
Reacendem a chama da esperança
Os anjos com narizes de palhaço
São exemplos da verdadeira essência humana

por Vitor Pedral

Anjos com narizes de palhaço

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vítima de Ureia Canina


Hoje acordei fraco
Talvez de cansaço
Um pouco febril
E o corpo doentio

Acreditei que mudaria
E faria transformar
Esse escuro
Num claro dia

Quatro horas de esperanças
E um tempo perdido
Mais uma vez
Eu preterido

Rejeitado?

A sina que me fascina
Vítima de ureia canina
As lágrimas são risadas
O humor é cilada

E cada palavra escarrada ou declarada
Leva-me ao inferno ou ao céu
Sorrisos sarcásticos e de fadas
Amargam o seu doce mel

A sina que me fascina
Vítima de ureia canina
Aqui jaz o fim do dia
De egro e ironia

Encarcerado em uma jaula virtual
Com um humor negro nada legal


por Vitor Pedral


domingo, 7 de abril de 2013

Complexo Âmago



Complexo âmago. Aos corações amados de difícil compreensão, porém cheios de essência. E pra iniciar, nada como Carlos Drummond de Andrade conceituando um pouco o Complexo Âmago:

Definitivo

“Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...”